Ao descrever o primeiro homicídio, praticado por Caim contra o seu irmão Abel, o relato do livro de Gênesis mostra as conseqüências de fato do homem já não refletir o ser humano perfeito conforme foi criado por Deus. Caim sentia-se incompleto, sem vida espiritual e não sabia como ser agradável a Deus. Abel revelava um prazer imenso na comunhão com Deus e por isso recebia a aprovação do Senhor. A inveja não é para ser normal nos seres humanos, ela é uma anomalia espiritual. Mas, se tornou tão comum que ser invejoso é atualmente a regra, o padrão de comportamento típico na humanidade. Tanto é assim, que Paulo lista a inveja como um dos comportamentos típicos do homem sem Deus, carnal, sem comunhão com o Espírito de Deus (Gl 5.21). E completa: “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.26). Salomão diz que a inveja adoece: “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30). Interessante que até mesmo a proclamação do evangelho pode ser feita por inveja: “Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade” (Fp 1.15). Para o invejoso, tudo é uma questão de disputa. Ele quer ser melhor do que a pessoa a quem ele inveja, mesmo que seja para provar que prega o evangelho de forma melhor, que alcança mais vidas, que tem uma Igreja maior, com mais membros. Paulo não se importa: “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade” (Fp 1.18). Mas, convenhamos, não é agradável ser alvo da inveja de quem quer que seja. Se o invejoso cuidasse de melhorar a si mesmo, isso seria até uma coisa positiva. Mas não é o que acontece. Ele não se contenta enquanto a outra pessoa não é destruída. Ele não suporta conviver com o sucesso, a estima e a influência que essa pessoa desfruta no grupo. Até Pilatos percebeu que o motivo dos sacerdotes quererem a morte de Jesus foi por inveja (Mc 15.9,10). E quando você pensa estar livre de algum invejoso, eis que surge outro, de modo que durante a vida inteira sempre haverá de conviver com esse tipo de pessoa. A única coisa que não pode acontecer é se tornar invejoso também. Que Deus livre a todos os seus filhos espirituais, não dos invejosos, mas de eventualmente se tornarem assim. Rv. Eduardo Atique Junior
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