Mente ativa ou passiva?

O cristão é chamado a prestar um culto racional e espiritual ao Senhor (Rm 12.1; Jo 4.23). O que é um culto racional? É um culto inteligível, onde a minha mente está consciente de cada ato praticado na adoração ou oração. A pessoa entende o sentido da liturgia e medita conscientemente nas implicações que a mensagem proclamada da Palavra de Deus tem para a sua vida. É o logiken latreia ou culto lógico. E precisa ser celebrado com ordem e decência. Mas ele não pode ser formal, como os rituais judaicos ou pagãos. Somos seres espirituais e Deus é Espírito. Através da intercessão do Espírito Santo que em nós habita, adoramos a Deus espiritualmente. Adorar em espírito ou orar em espírito não implica em abrir mão da consciência. “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente” (1Co 14.15). O adorador não pode encontrar-se em um estado onde ele não sabe o que está orando ou não possui plena consciência de si mesmo no ato de adoração. A mente precisa estar ativa, sem que isso implique em excesso de racionalismo e formalismo. A emoção que é provocada por meio de técnicas psicológicas não é ação do Espírito Santo. Pior são as experiências místicas que estão sendo introduzidas no meio cristão sem discernimento espiritual ou pela Palavra de Deus. Na tentativa de procurar evidências da operação do Espírito Santo, alguns aceitam os ensinos heréticos e perigosos de “novas unções”. É “unção do Leão”, “unção dos quatro seres”, “unção do riso” e outras do mesmo gênero. Se a pessoa necessita procurar “evidências” ou alguma “unção” isso significa que o Espírito Santo não habita nela. E nesse caso, quando manifesta esse tipo de “unção”, ela perde a consciência do que está fazendo. O tal de “repousar no espírito” também pode ser entendido da mesma forma. O descanso no Senhor não é cair no chão inconsciente, mas é fruto da paz e certeza de que Deus ouviu a oração e está no controle da situação. As técnicas pagãs de meditação são baseadas no esvaziar a mente. Em sua maioria usam de vãs repetições (Mt 6.7), como os mantras. E mantras estão sendo introduzidos até em cânticos. Fique com a orientação de Paulo: “mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1Tm 1.19).
Rv Eduardo Atique Junior.

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